Blog Clara Nunes

16 Maio 2012

Texto de Iraciran Soares



A ASCENSÃO DE UMA GUERREIRA

A luminosidade que envolvia o planeta naqueles dias que antecederam a volta de Clara ao plano espiritual oscilava tais o brilho de pós de cristais da areia da praia. Os Orixás preparavam-se para recebê-la. Oxumaré ligara as pontas de um imenso arco-íris azul e branco num pólo a outro da terra, que interligavam as cores rubras das auroras boreal e astral criando furta cores que homenageavam a todas as escolas de samba.   Sereias choravam copiosas lagrimas sobre as pedras litorâneas formando volumosas marés altas, sem que antes ocorresse a brisa amena que antecede a preamar. Fora preciso Iemanjá serenar o Mar regendo seu equilíbrio, pois parecia querer emergir o mais alto possível suas águas para alcançar Clara que volitava sorrindo e cantando; levando a crer que queria resguardá-la para si e fazê-la a mais linda sereia.
Nos terreiros, sons inaudíveis e dolentes de tambores lançavam pelos ares um pulsar compassado e dorido, tais batimentos de corações em despedida. Só Oxum e Iansã sorriam; Pois logo mais teriam nos anéis de seus dedos, a pedra mais CLARA, mais brilhante, mais diáfana de todo universo.

Mães e pais de Santo recitavam no idioma Bemba os encaminhamentos balbuciando-os com o corpo cataléptico, transfigurados, desumanizados, fitando com suas pupilas inertes e umedecidas de lagrimas vivas, o corredor de estrelas que se precipitavam sobre a terra.  As forças da natureza em vão tentavam mantê-la aqui. O curso das quedas d’águas das cachoeiras desafiava a lei da gravidade projetando-se, soerguendo-se para o alto, fundindo-se com as nuvens, mesclando os vapores brancos das águas a alma clara de CLARA.  Porém, a mística da oração dos Babalorixás os fazia vislumbrarem Ogum com sua espada quebrando as correntes materiais que prendiam a Guerreira a mundanalidade da terra, fazendo cumprir a missão pré-estabelecida.

Naquelas noites de vigília, o canto das Iaras nunca fora tão dolente e ungido pela saudade. As notas musicais destas canções eram tão concretas e palpáveis que invadiam as matas ondulando as copas das árvores, abalroando nos troncos fazendo-os vibrarem em ecos soturnos até cafurnar-se nos mistérios insondáveis das eternas noites das florestas fechadas de Oxóssi. Os acordes sofríveis vibravam encrespando angustiosamente as águas do Amazonas, que no alcançar do Oceano se propagavam até o além mar chegando às praias da mãe África, sonorizando-as com notas musicais úmidas de dor, enquanto os caboclos ribeirinhos ouvindo-as aproveitavam para compor a percussão com seus atabaques, a letra da canção carregada de lirismo das mães das águas em ritmo de cirandas nostálgicas.

Um lamento triste ecoou depois que Xangô formara um imenso coração incandescente com os raios de sua espada que alcançavam todo sistema solar saudando a volta de Clara à casa do Pai Oxalá. O rufar dos atabaques e tambores ficaram mais pungentes e logo são superados pelo som das trombetas de Arcanjos e Querubins, que a conduzem, e fazem sutilmente Clara adentrar no corredor das estrelas fazendo-a contornar levemente seu diâmetro de luz. O seu lindo olhar de lince alumiava o percurso estrelar. Seu corpo espiritual levitava ritmicamente aos acordes dos sons divinos voando triunfante sobre a morte, esbanjando seu sorriso retilíneo de jubilo intenso e claro como sua alma que rumava aos confins do sem fim.
E nós, nas noites de turbilhões de estrelas, tentamos verte. Pois os Orixás já nos confessaram que teu brilho é quem alumia todas elas.

Iraciran Soares.
 

15 Maio 2012

arte

Clara
                                                           
  Arte: Ilvan Filho

Blog Veja Abril


26/04/2012 Veja Abril


Encontro de gigantes: Clementina de Jesus e Clara Nunes, há 35 anos




                                                 Foto histórica (infelizmente sem crédito ou data disponíveis): 
                         Clara e Clementina entre a dupla Nana Caymmi e Elizeth Cardoso e ele, Chacrinha

Por Daniel Setti

Elas tinham vozes diametralmente opostas. Clementina de Jesus (1901-1987), com seu potente e grave gogó de trovão, parecia uma prima perdida de Nina Simone que nascera por acaso em Valença, no estado do Rio de Janeiro; não menos inconfundível, o timbre da mineira de Caetanópolis Clara Nunes (1942-1983) emanava uma doçura mais, digamos, comercial.
Mesmo assim, as duas divas combinavam quase à perfeição. Tanto é que colaboraram em mais de uma ocasião. A primeira de destaque foi em gravação da deliciosa “PCJ (Partido Clementina de Jesus)”, composição-tributo de autoria do lendário sambista Antônio Candeia (1935-1978) interpretada por ambas no disco Forças da Natureza, lançado por Clara em 1977.
Embora seja coroada pelo despretensioso e irresistível refrão “não vadeia (sic) Clementina”, a letra da música se envereda curiosamente pela ecologia, em versos como “cadê o cantar dos passarinhos?/ar puro não encontro mais não”.
Dois anos depois, seria a vez de Clementina convidar a amiga para participar de seu álbum de duetos intitulado simplesmente Clementinana faixa “Embala Eu”, de Albaleria. Entre os outros ilustres que dividiram o microfone com ela na ocasião estiveram João Bosco e Martinho da Vila.

11 Maio 2012

Clara em Paraopeba

O blog publica esta bela foto de Clara Nunes do acervo pessoal de Vanessa Edmundo, uma das crianças que participaram da homenagem à Clara na Prefeitura de Paraopeba-MG, no ano de 1976. Na ocasião em 1º de julho a cidade mineira foi palco de homenagens à filha ilustre da região com uma apresentação única em sua carreira. 

30 Abril 2012

João Nogueira é homenageado e Clara Nunes é lembrança constante no Samba Book




Maravilhoso projeto em homenagem à João Nogueira, lançado em abril contempla também Clara Nunes, em várias composições antológicas gravadas por ela ao longo de sua carreira. O especial do Canal Brasil, exibido ontem 28 de abril abre a série de shows que irão percorrer o Brasil. O blog traz algumas dessas canções que sem dúvida homenageiam Clara , amiga e madrinha do querido João Nogueira. 
Parabéns aos idealizadores do Samba Book que emociona e nos faz lembrar de Clara Nunes!



O grupo Revelação canta: Mineira

Mariene de Castro canta: Um ser de Luz


As homenagens de João Nogueira ao eterno Sabiá

João e a cantora Clara Nunes tinham uma relação de amizade muito forte, tanto que ela foi até madrinha de sua filha.  O lado profissional também se cruzava frequentemente, ela gravou muitas músicas dele e foi tema inclusive tema de algumas. Duas dessas estão no Sambabook João Nogueira: Mineira , Um Ser de Luz. A última foi escrita em parceria com o marido da cantora, Paulo César Pinheiro, e Mauro Duarte logo após a sua morte, uma homenagem final dos autores que Clara mais gravou.
Ainda fazem parte do CD "As forças da Natureza e Minha Missão" ambas composições de João Nogueira e Paulo César Pinheiro gravadas por Clara Nunes.
No Sambabook quem ficou responsável por cantar esse tesouro foi a revelação Mariene de Castro, que acabou de lançar seu 3º álbum de trabalho: Tabaroinha. A cantora que começou de fininho nos vocais de apoio do Timbalada, já conquistou o público europeu e agora ganha mais espaço no mercado musical brasileiro.



Seu Jorge canta: Minha Missão


Teresa Cristina canta: As forças da Natureza


25 Abril 2012

Revista Espirita de Umbanda


  • Marcos Aurelio Silva Pereira (Contribuição)
    Além de trazer assuntos Temáticos como Cursos Curiosos como " A mediunidade na UMBANDA e a diferença do Campo Vibratório entre Médiuns de Mesa ( kardecismo) e Médiuns de Terreiro ( Umbanda) , Congressos , Fatores Históricos Culturais , A Umbanda e o Meio Ambiente ( Oferendas ja são Levadas a Compostagem Orgãnica para não Agredir o Meio Ambiente) , a REVISTA Trás Também Matéria Especial Sobre Os 70 Anos de CLARA NUNES em 2012.
    Vale Muito à Pena Conferir , Leigos e Adeptos.


    Contribuição: Ana Vieira-RS
    Blog Clara Nunes Deusa dos Orixás
    www.claranunesdeusadosorixas.blogspot.com

16 Abril 2012

Peça gráfica

                                                      Design gráfico: Bernardo Giron

Recebemos por e-mail:

Gostaria de dividir com o blog "Voz de Ouro" um trabalho que terminei de fazer para a faculdade (Design Gráfico) e que servirá para avaliação de semestre. Os 70 anos de Clara, e o conjunto de sua obra, mereciam um Disco de Ouro especial de verdade!


Também reservei para Claridade uma postagem em meu blog:
http://metaldiscoide.blogspot.com.br/2011/12/operaria-da-cancao.html


Espero que apreciem e esteja à altura do gigantismo da nossa tão amada Clara Nunes.
Bernardo Giron


(Caro Bernardo, seu bonito trabalho bem que poderia estampar um CD comemorativo.
Parabéns.


10 Abril 2012

Matéria completa da Revista Encontro

Ela nasceu e viveu para cantar


No ano em que completaria 70 anos, a cantora Clara Nunes será homenageada em sua terra natal e terá todos os seus discos relançados

Por João Paulo Martins
Fotos: Cláudio Cunha/Reprodução

Clara Nunes foi a primeira cantora brasileira a vender mais de 150 mil discosclique para ampliar“Filha de Angola, de ketu e nagô, não sou de brincadeira”. Assim Clara Nunes, a cidadã mais ilustre de Caetanópolis, pequena cidade da zona metalúrgica de Minas Gerais, é descrita na música Guerreira, composta por João Nogueira. Alguns versos depois, ficamos sabendo que ela é “filha de Ogum com Iansã”, ou seja, é protegida por esses orixás, que equivalem a São Jorge e Santa Bárbara, respectivamente, no sincretismo com a igreja católica. O candomblé, de origem ketu, virou sua marca, principalmente nas roupas que usava, e combinou perfeitamente com o ritmo que a consagrou: o samba. Neste ano, em comemoração aos 70 anos de nascimento de Clara, ela ganhará um memorial em sua cidade natal e sua obra será lembrada na TV, em documentário do Canal Brasil, e sua discografia completa, com 16 discos, será reeditada.

No dia 12 de agosto de 1942 nascia Clara Francisca Gonçalves, no pequeno distrito de Cedro, que mais tarde viria a ser a cidade de Caetanópolis, a 96 km de Belo Horizonte. Sua infância simples não impediu que o sonho de ser artista se tornasse realidade. Criada pelos irmãos mais velhos, Maria Gonçalves, conhecida como dona Mariquita, e José Gonçalves, Clara sempre gostou de cantar, inspirada principalmente pelas grandes cantoras de rádio da época, como Elizeth Cardoso e Dalva de Oliveira. Mas a música também estava em seu DNA, já que o pai, Manoel Pereira de Araújo, o Mané Serrador, além de funcionário da fábrica de tecidos da cidade, era um violeiro em folias de rei.

“A gente dizia que Clara já nasceu cantando. Com 4 anos, ela cantava na escola e em casa de parentes. Lembro que todos comentavam como ela não errava o ritmo”, conta dona Mariquita, irmã mais velha da artista e também sua mãe de criação. Aos12 anos, Clara ganhou seu primeiro concurso de música, realizado no prédio que abrigara o cinema da cidade, cantando o bolero paraguaio Recuerdos de Ypacaraí. Como prêmio, ganhou um vestido azul-claro, o que para uma menina pobre significava muito.
Hoje, o lugar de seu primeiro passo para o sucesso abriga um centro de cultura que leva seu nome e oferece diversas atividades para a comunidade, incluindo dança, canto e teatro. A parede é repleta de imagens da cantora mineira, e, como lembrança, foi construído um palco igual ao que ela se apresentou. “A criação da casa de cultura é válida porque foi nesse lugar que ela mostrou que nasceu para cantar”, diz dona Mariquita.

Além da música, a menina pobre que sonhava cantar para as multidões era apaixonada por bonecas. Como sua família não tinha condição de comprar as que estavam na moda, a avó fazia versões de pano, que eram muito bem tratadas pela pequena Clara. A coleção cresceu com o tempo, e mesmo com a carreira já consolidada, ela não deixava de dormir cercada de suas lembranças da infância. Um dia, porém, tomou uma iniciativa nobre: doou todas as bonecas para um orfanato da cidade do Rio de Janeiro. “Ela só ficou com uma boneca preta, que guardo até hoje”, lembra a irmã.

As crianças também estavam nos planos de Clara Nunes. Ela sempre quis ser mãe, mas problemas no útero impediram que realizasse esse sonho. No entanto, ela confidenciou à irmã, no Natal de 1982, pouco antes de sua morte, que queria acabar sua carreira tomando conta de uma creche. Mariquita guardou, então, essa confidência na memória, e quatro anos depois inaugurou o espaço, que comporta 60 crianças, em Caetanópolis. Claro que o nome dado ao lugar não poderia ser outro, senão o da cantora.

“Eu conheci Clara quando tinha 14 anos; ela se apresentava na Rádio Inconfidência e ganhou o concurso Voz de Ouro ABC”, conta o radialista Acir Antão. Pouco tempo depois, ele também passou a trabalhar como locutor e se tornou amigo da cantora. O laço que os aproximou não seria outro, senão o samba: “Eu já estava engajado em tocar sambas, no início dos anos 1970. E quando ela cantou Você Passa, Eu Acho Graça, de Ataulfo Alves, foi um grande sucesso. A partir daí nos tornamos amigos, e quando vinha a BH, ela sempre participava de meu programa”.
A capital mineira foi o marco para que a carreira de Clara Nunes decolasse. Participou de diversos concursos, e quando trabalhava para a Inconfidência, levada por um dos principais locutores da época em Belo Horizonte, Aldair Pinto, mudou o sobrenome Gonçalves para o que conhecemos hoje. Além disso, foi cantando nessa rádio que ela conheceu e se engraçou com Aurino Araújo, irmão de Eduardo Araújo, um dos grandes nomes da Jovem Guarda. Como nessa época os grandes cantores só emplacavam quando se exibiam no eixo Rio-São Paulo, Clara foi levada por Aurino para a terra de Vinícius de Moraes.o a sorte caminhava a seu lado, em um concurso levou como prêmio um contrato com a gravadora EMI-Odeon, e este foi o impulso que faltava para seu sucesso nacional e internacional. “Hoje, não temos quase nada interessante sendo lançado na música brasileira. Antigamente, uma gravadora lançava não apenas um artista, mas uma leva deles de uma só vez. Por exemplo, quando saía um disco de Clara Nunes, tínhamos também o de Roberto Ribeiro, Paulinho da Viola e Gonzaguinha”, explica Acir Antão.

A menina de Caetanópolis, órfã aos 6 anos, trilhava agora um caminho que não teria mais retorno, ou seja, o da fama. A vida proporcionava encontros e desencontros, que ajudaram a formar sua carreira. “Quando Clara veio ao Rio para participar de um festival de música da TV Record, ainda era desconhecida, e a gente se olhou, gostou um do outro e começamos a ter um affair”, revela o cantor Jair Rodrigues. Nessa época, ele fazia shows acompanhado do grupo Originais do Samba, e, quando foram excursionar pela América Latina, aproveitou para levar a cantora mineira junto.

Naquela época, Clara apresentava músicas românticas, principalmente boleros, e segundo Jair Rodrigues, foi numa apresentação no Uruguai que ele a chamou de lado e falou: “Escuta bem, o dono do restaurante pediu que você cantasse samba”. Ela disse que gostava do ritmo, mas não sabia cantar. “Chamei o grupo num salão e passei para ela músicas, como Mas que Nada e Amélia. Para finalizar a história, arrasamos juntos, Jair, Originais e Clara Nunes”, completa o cantor.

"Nossa maior conterrânea foi o caminho para mudar o rumo da cidade,
por meio do turismo cultural”


Pouca gente sabe dessa história, pois o que ficou na lembrança foi a mudança na carreira da cantora mineira depois que passou a gravar samba. Até 1969, seus discos com músicas românticas fracassavam nas lojas. Em 1971, com o lançamento do LP Clara Nunes, da EMI-Odeon, bateu um recorde para a época: vendeu mais de 150 mil cópias. “Havia uma lenda de que mulher não vendia disco, muito menos ultrapassar a vendagem de cantores como Roberto Carlos. Mas Clara foi a pioneira”, explica o radialista Tutti Maravilha. Seu primeiro contato com a mineira que cantava samba foi a partir do musical Brasileiro: Profissão Esperança. Ele trabalhava na produção, junto da grande cantora Bibi Ferreira. No palco, Clara Nunes, vivendo uma de suas divas, Dolores Duran, dividia as cenas com o grande ator Paulo Gracindo. “Ela era muito simples, não tinha estrelismo nenhum”, lembra Tutti, elogiando um dos principais traços que a cantora nunca perdeu em sua carreira: a simplicidade. Para o radialista, ela faz muita falta para a música brasileira, por ter sido uma cantora única, com timbre e capacidade vocal imbatíveis até hoje.
Entre os principais sucessos entoados por Clara Nunes, destaque para Conto de Areia, Feira de Mangaio, Morena de Angola, Canto das Três Raças e Portela na Avenida. Esta última, aliás, é o maior símbolo da paixão da cantora com a escola de samba carioca, que, no carnaval de 2012, levou para a avenida uma homenagem aos 70 anos da “mineira guerreira”. A letra de Portela na Avenida, uma exaltação à escola azul-e-branco de Madureira, é de autoria do compositor Paulo César Pinheiro, que, além de ser responsável pelos sucessos de Clara, acabou se tornando seu marido.


“Éramos duas pessoas fazendo música. Nosso trabalho não tinha a ver com nosso relacionamento. Eu sempre entregava as músicas que ela gostava”, conta Paulo César Pinheiro, que também é músico e poeta. A parceria rendeu nada menos que 30 composições. Para ele, a mineira ficou marcada pelo simbolismo do candomblé, em especial por suas roupas brancas e balangandãs, e é a cantora que melhor representa a religião afrobrasileira. “A música O Canto das Três Raças eu fiz para mostrar a formação do povo brasileiro, ou seja, a mistura de índio, negro e europeu”, explica Paulo César.

Com uma obra tão singular, a grande cantora mineira não poderia ter seu aniversário esquecido. Em sua terra natal, Caetanópolis, em agosto, durante o Festival Clara Nunes, evento que acontece há sete anos, será inaugurado um memorial, espécie de museu, onde o público poderá conhecer suas roupas, acessórios, prêmios, fotos e objetos religiosos. “Procuramos trazer artistas que têm a ver com ela”, explica o prefeito Romário Vicente Ferreira. Ele conta que a primeira edição do festival, em 2006, não contou nem com 500 pessoas, mas foi o ponto de partida para mostrar à cidade a importância da conterrânea famosa.

Após palestras e oficinas sobre Clara, a população começou a reconhecer sua relevância, e, na quarta edição, com o show da Velha Guarda da Portela, o festival se consolidou. “Foi aí que percebemos que nossa maior conterrânea seria o caminho para mudar o rumo da cidade, por meio do turismo cultural”, diz Romário Ferreira. Além da festividade em Caetanópolis, os fãs da cantora mineira serão presenteados com a reedição de seus 16 álbuns lançados pela EMI-Odeon, que virão reunidos num box, e também vendidos separadamente. A previsão é que esteja à venda ainda no primeiro semestre deste ano. Outra opção para quem quer conhecer melhor a carreira e a vida de Clara é um documentário que está sendo produzido pelo Canal Brasil e trará depoimentos de artistas e nomes importantes que passaram pela vida da cantora. Ainda não existe nome nem data de estreia, mas tudo indica que irá ao ar ainda em 2012.

“Eu não gravo para vender. Eu gravo letras maravilhosas, de compositores excepcionais e mensagens extraordinárias, para fazer com que o público que ainda não está bem entrosado com a MPB se volte mais à raiz de nossa música”, contou Clara Nunes, em entrevista à extinta TV Manchete, no final dos anos 1970. Somado à música, o espiritismo foi um fio condutor de sua vida. A família, que era muito católica, se converteu para o kardecismo após a perda dos pais. A cantora, que ainda era apadrinhada do candomblé, procurou sua mãe de santo antes de fazer uma cirurgia de varizes, em 1983. Não seguiu a recomendação de deixar de lado essa ideia, e no dia 2 de abril daquele ano, o Brasil perdia, há exatos 29 anos, uma de suas grandes artistas, devido a um choque anafilático provocado pela anestesia. “Sou uma pessoa muito mística. Sou supersticiosa. Acredito nos orixás, em oxalá. Está dentro do meu coração, da minha alma. Acho que todo brasileiro é supersticioso, devido à mistura de raças”, explicou Clara, em conversa com a jornalista Leda Nagle, no Jornal Hoje, da TV Globo, do início dos anos 1980. E a profecia se cumpriu.

06 Abril 2012

Matéria Revista Encontro

Foto: Instituto Clara Nunes
Reprodução: Claudio Cunha

Transcrevemos os principais trechos da matéria  da revista mineira Encontro, nas bancas dia 06 de abril de 2012. Parabéns ao jornalista João Paulo Martins por trazer-nos esse belo material.

Clara Nunes foi a primeira cantora brasileira a vender mais de 150mil discos. Em 2012,quando faria 70 anos, seus 16 albuns serão relançados.

No ano que completaria 70 anos, a cantora Clara Nunes será homenageada em sua terra natal e terá todos os seus discos relançados. Encontro mostra a história dessa grande artista de Minas e sua importância para a música brasileira.

Matéria: João Paulo Martins

“Filha de Angola, de Ketu e Nagô, não sou de brincadeira”. Assim Clara Nunes, a cidadã mais ilustre de Caetanópolis, pequena cidade da zona metalúrgica de Minas Gerais, é descrita na música Guerreira, composta por João Nogueira. Alguns versos depois, ficamos sabendo que ela é “filha de Ogum com Iansã”, ou seja, é protegida por esses Orixás, que equivalem a São Jorge e Santa Bárbara, respectivamente no sincretismo com a Igreja Católica. O Candomblé, de origem Ketu, virou sua marca, principalmente nas roupas que usava, e combinou perfeitamente com o ritmo que a consagrou: o samba. Neste ano, em comemoração aos 70 anos de nascimento de Clara, ela ganhará um memorial em sua cidade natal e sua obra será lembrada na TV,em documentário do Canal Brasil, e sua discografia completa, em 16 discos será reeditada.
No dia 12 de agosto de 1942 nascia Clara Francisca Gonçalves, no pequeno distrito de Cedro, que mais tarde viria a ser a cidade de Caetanópolis a 96 Km de Belo Horizonte. Sua infância simples não impediu que o sonho de ser artista se tornasse realidade. Criada pelos irmãos mais velhos, Maria Gonçalves, conhecida como Dona Mariquita e José Gonçalves, Clara sempre gostou de cantar,inspirada principalmente pelas grandes cantoras de rádio da época, como Elizeth Cardoso e Dalva de Oliveira. Mas a música também estava em seu DNA,já que o pai, Manoel Pereira de Araújo, o Mane Serrador, além de funcionário da fábrica de tecidos da cidade, era um violeiro em folias de rei.

“A gente dizia que Clara já nasceu cantando.Com 4 anos, ela cantava na escola e em casa de parentes. Lembro que todos comentavam como ela não errava o ritmo”, conta dona Mariquita, irmã mais velha da artista e também sua mãe de criação. Aos 12 anos, Clara ganhou seu primeiro concurso de música, realizado no prédio que abrigava o cinema da cidade, cantando o bolero Recuerdos de Ypacaraí. Como prêmio , ganhou um vestido azul-claro, que para uma menina pobre significava muito.
Hoje, o lugar de seu primeiro passo para o sucesso abriga um centro de cultura que leva seu nome e oferece diversas atividades para a comunidade, incluindo dança, canto e teatro. A parede é repleta de imagens da cantora mineira, e como lembrança, foi construído um palco igual ao que ela se apresentou.




                                                            Foto: Instituto Clara Nunes
                                                        Clara e sua irmã Maria Gonçalves

Foto: Instituto Clara Nunes
Clara no programa do Bolinha

Foto: Instituto Clara Nunes
             
                                                        Foto: Instituto Clara Nunes
                                                 Clara e sua irmã Branca Gonçalves


  Foto: Instituto Clara Nunes
                                                     Clara e o sobrinho Sued Gonçalves                                                 

Com uma obra tão singular, a grande cantora mineira não poderia ter seu aniversário esquecido. Em sua terra natal, Caetanópolis, em agosto,durante o Festival Clara Nunes, evento que acontece há sete anos, será inaugurado um memorial , espécie de museu, onde o público poderá conhecer suas roupas, acessórios, prêmios, fotos e objetos religiosos.”Procuramos trazer artistas que têm a ver com ela”, explica o prefeito Romário Vicente Ferreira.

Além da festividade em Caetanópolis, os fãs da cantora mineira serão presenteados com a reedição de seus 16 álbuns lançados pela EMI-Odeon, que virão reunidos num box, e também vendidos separadamente. A previsão é que esteja á venda ainda no primeiro semestre deste ano. Outra opção para quem quer conhecer melhor a carreira e a vida de Clara é um documentário que está sendo produzido pelo Canal Brasil e trará depoimentos de artistas e nomes importantes que passaram pela vida da cantora. Ainda não existe nome nem data de estréia, mas tudo indica que irá ao ar ainda em 2012.



                                                                 Foto: Claudio Cunha

                                                             Foto: Claudio Cunha

                       

Matéria Ela nasceu para cantar! Revista Encontro abril de 2012











01 Abril 2012

2 de abril - 29 anos sem Clara Nunes!



Na madrugada do sábado de Aleluia de 2 de abril de 1983, a poucos meses de completar 40 anos, Clara Nunes entrou oficialmente em óbito, vítima de um choque anafilático. A sindicância aberta pelo Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro na época foi arquivada, o que geraria por muitos anos suspeitas sobre as causas da morte da cantora. O corpo da cantora foi velado por mais de 50 mil pessoas na quadra da escola de samba Portela. O sepultamento no Cemitério São João Batista foi acompanhado por uma multidão de fãs e amigos. Em sua homenagem, a rua em Madureira onde fica a sede da Portela, sua escola de coração, recebeu seu nome.

Clara Nunes passou 28 dias em estado de coma profundo depois de submeter-se a uma operação de varizes. No seu último show no Portelão, em Madureira, com a velha guarda da escola do seu coração, ela prometeu voltar no 1º domingo de abril. Voltou com um dia de antecedência, para ser velada por cerca de 50 mil pessoas, num Sábado de Aleluia nublado, na quadra se apresentou. Os fãs enfrentaram sol, chuva, brigas e empurrões, e por duas vezes o caixão balançou, quase caiu.


Os fãs cantavam a Valsa do Adeus quando o caixão foi fechado. O surdo da Bateria da Portela marcou a saída de Clara Nunes pela última vez da quadra da escola. O prefeito em exercício, Jamil Haddad, decretou luto oficial por três dias.








Nossa homenagem : Martinho da Vila canta: "Clara Nunes" música tributo

30 Março 2012

Oratório

Clara e ao fundo a mesa de sua sala com o oratório barroco que foi restaurado para o Memorial Clara Nunes em Caetanópolis.  Coleção: Instituto Clara Nunes (Revista Amiga)

Revista História Biblioteca Nacional



A beleza que canta

Clara Nunes terá museu em agosto, quando completaria 70 anos
 

                                                  Foto cortesia: Instituto Clara Nunes

Clara não jogava nada fora, guardou até a roupa com que foi coroada Rainha do Carnaval em Belo Horizonte, nos anos 1960. Depois que ela morreu, guardamos tudo. Discos de Ouro, troféus, acessórios, fantasias, reportagens, mais de 2.000 fotos. Já são 29 anos de luta para criar o Memorial Clara Nunes. continua...

26 Março 2012

Estatuto do Instituto Clara Nunes



O Instituto tem por finalidade(s):

I. Zelar e preservar o acervo pessoal e artístico de Clara Nunes;
II. Promover e incentivar projetos que visem a preservação da memória de Clara Nunes;
III. Promover e incentivar todas e quaisquer atividades artísticas, esportivas,culturais,sociais, mesmo aquelas que não estão contidas neste Estatuto;
IV. Promover parcerias com outras entidades e associações em campanhas educativas e de valorização da comunidade e resgate da cidadania através da cultura;
V. Garantir a participação da comunidade carente nas atividades desenvolvidas;
VI. Participar ou co-participar de projetos de trabalhos de construção, formação, organização, manutenção, ampliação e equipamentos de museus, bibliotecas, arquivos e outras organizações culturais congêneres ou afins, bem como de suas coleções e acervos;
VII. Promover a criação, produção, distribuição, representação de eventuais catálogos, vídeos, livros, acessórios, que se constituam em réplicas ou reprodução de objetos de uso pessoal, que estejam relacionados e contidos no acervo de Clara Nunes;
VIII. Elaborar projetos culturais com apoio de outras Instituições,
IX. Instituir e outorgar prêmios,
X. Assessorar, administrar, organizar e produzir festivais, mostras, seminários, cursos,palestras, encontros e eventos em geral sobre Clara Nunes e assuntos pertinentes ao Instituto;
XI. Garantir o acesso público,para visitação,ao acervo,desde que previamente acordado com a administração do Instituto.
XII. Garantir o acesso,para pesquisa ao acervo - resguardada a preservação do mesmo – mediante agendamento prévio com a administração do Instituto,carta de apresentação da instituição a qual o pesquisador se acha vinculado,bem como o preenchimento de um termo de compromisso sobre a utilização do material coletado.
XIII. Documentar todos os eventos promovidos e apoiados pelo Instituto,
XIV. Estabelecer e participar de convênios com outros Institutos e Fundações.

25 Março 2012

O acervo precioso de Clara Nunes

                                                            agencia abril

O acervo de cerca de 6 mil itens – vestidos, discos, milhares de fotos, troféus, colares e balangandãs – que pertenceram a uma das maiores cantoras do Brasil está guardado, há anos pela família de Clara Nunes num pequeno cômodo anexo á Creche Clara Nunes em Caetanópolis-MG,terra natal da mineira. Em 2005 a família criou o Instituto Clara Nunes, orgão que gerencia e organiza o acervo familiar preservado há 29 anos pela sua irmã Maria Gonçalves, a Dindinha como Clara gostava de chamá-la. A catalogação e a restauração do acervo foram feitas com a ajuda da historiadora Sílvia Brugger, professora da Universidade Federal de São João del-Rei, que estudou a vida e a obra da mineira.

 
Aí então, começou a segunda fase de reunir e catalogar tudo que estava fechado há anos. Foram feitas cópias fotográficas de todo o acervo: textos, fotos, revistas, jornais etc. Esse rico material aguarda a próxima etapa que será a digitalização  para futuras pesquisas de interessados que visitarão o Memorial.


Esse acervo não foi só mérito da família,e sim da própria Clara e de sua assessoria de imprensa que anos e anos catalogava revistas,jornais, fotos pessoais,de shows,viagens etc. Tudo começou nos anos 60, ainda em Belo Horizonte com recortes de jornais de Minas desde sua primeira apresentação em feiras religiosas e pequenos shows."Clara tinha esse cuidado especial com sua carreira e queria guardar tudo para um dia ter a quem mostrar", conclui sua irmã a Dindinha. Não sabia que no futuro esse material serviria para prestá-la uma bela homenagem, agora com a inauguração do Memorial Clara Nunes, marcado para 12 de agosto em Caetanópolis, dia do seu aniversário e data do Festival Clara Nunes.

O Instituto Clara Nunes localizado na Rua Fernando Lima 264 constituído jurídicamente é
detentor do acervo,que junto à Prefeitura Municipal gerenciará o Memorial Clara Nunes.

Foto: Jornal Estado de Minas
 Nas pastas azuis um tesouro: Fotos,jornais,revistas...toda uma história de sucesso.
                            Será um presente aos fãs dessa cantora inesquecível.


Tela: Se Clara Nunes fosse índia


Tela de Carmen Garrez

Formada em Arquitetura e Urbanismo pela

Universidade Federal de Pelotas.

Nasceu em Cacequi - Rio Grande do Sul

Brasil

15 Março 2012

Festival já tem data

A sétima versão do FESTIVAL DE CULTURA CLARA NUNES será de 5 a 19 de agosto de 2012, na cidade natal de Clara Caetanópolis-MG. Este ano, o evento se reveste de maior importância, em virtude das comemorações do septuagésimo aniversário de nascimento da Guerreira. Dia 11 (sábado), haverá a abertura oficial. Para dia 12 (domingo) está prevista a tão esperada inauguração do MEMORIAL CLARA NUNES. Grandes atrações estão em estudo. Aguardem!
Fonte: Prefeitura Caetanópolis




11 Março 2012

As Expectativas para um Grande Memorial



Caetanópolis, cidade de 9,5 mil habitantes a 100 quilômetros de Belo Horizonte, é considerada o berço da indústria têxtil brasileira por causa da Fábrica do Cedro, fundada em 1872 e em pleno funcionamento até hoje. O lugar se chamava Cedro e foi distrito de Paraopeba até a emancipação, em 1954. Fica na Região Central de Minas, às margens da BR 040, que liga BH a Brasília. Mariquita organizou tudo como pôde. Estão lá 140 peças de roupas, quase todas brancas, fotos, vídeos, correspondência, publicações, objetos pessoais, braceletes, colares e o acervo barroco, formado por peças com as quais Clara decorava sua casa. Há também uma radiola ABC (toca discos), de uso pessoal da cantora. Um conjunto precioso, guardado com cuidado, mas em lugar inadequado para a visitação. “É complicado cuidar do acervo, porque a família não foi herdeira dela. Somos modestos e lutamos com dificuldade para mantê-lo”, diz Mariquita. Uma recente parceria com a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) está permitindo a catalogação do material e a digitalização de fotos, vídeos, publicações e documentos.
Mesmo quando estava no auge do sucesso, Clara nunca deixou de visitar a família e os conterrâneos. Sempre passava o Natal na casa de Mariquita e, no último deles, poucos meses antes da morte, revelou o desejo de abrir uma creche. “Ela tinha muita frustração por não ter tido filhos. Resolvemos fazer a creche para homenageá-la”, lembra a irmã mais velha. “Essa creche a irmã fez por vontade dela. A gente fica agradecida e tem muito orgulho por ela ter nascido aqui”, testemunha Raquel Mariz Inocente, que tem um filho de 5 anos na instituição.
Nenhuma temporada de Clara Nunes terminava sem que Mariquita assistisse a pelo menos um show. No último, intitulado Clara Mestiça, no teatro que tinha o nome da cantora, ela ralhou com a irmã mais nova dizendo que estava com dó dela por causa do esforço, e que não era necessário “se matar” daquele jeito no palco. A reação foi vigorosa: “Não gostei quando você falou que estava com dó de mim porque eu estava suando muito. Ponha na sua cabeça que eu vim a este mundo para cantar”. Mariquita lembra da fala de Clara e também que ela cantava desde os 4 anos.
Hoje as obras do Memorial estão sendo finalizadas para receber os fãs de Clara Nunes.
Em sua fachada uma enorme foto de Clara será exposta.